"Trek", do inglês, segundo o dicionário do Babylon, é "fazer uma viagem difícil e comprida". Tirando o comprida, que não se aplica aos dias atuais, está quase perfeito para o que fazemos atualmente...

A definição 2 encontrada no The American Heritage Dictionary define melhor o que é o trekking que existe atualmente e que nós fazemos.

"To journey on foot, especially to hike through mountainous areas."

Caminhar, especialmente em áreas montanhosas, atravessando florestas ou rios, contruções ou plantações, para ir de um ponto ao outro. Poder contemplar a natureza ao vivo e a cores, de verdade.

Se superar, fazendo coisas que um dia você nunca imaginou fazer. Subir um barranco íngreme só apoiado em uma corda. Ou, ao contrário, descer uma pedra segurando em uma corda. Nadar em uma lagoa. Cruzar um matagal alto e que não parece ter fim. Trabalhar em equipe, com seus amigos e colegas, confiando um no outros.

O trekking pode ser tudo isso...

Some-se ao tudo isso, uma boa dose de competição; Temos então um trekking competitivo.

Disposto do mesmo modo de um rally de regularidade para carros (onde o importante não é a velocidade, mas sim o 'timing' correto), o trekking competitivo exige que a equipe (formada de 3 a 6 integrantes) faça um percurso pré-determinado por uma organização (entre 8 e 15 kilômetros dividos em vários trechos, e entre 4 e 6 horas, dependendo da dificuldade), cumprindo os horários de largada (dado previamente) e chegada (calculado pela equipe).

Para se determinar o percurso a ser tomado, é fornecido pela organização o material necessário. Geralmente é uma planilha, espécie de mapa, onde constam as instruções com direções a seguir (ilustrações da área e instruções escritas), a distância (em metros) e a velocidade média a ser cumprida, por cada trecho.

Através dessas instruções, uma série de cálculos é feita antes do início da prova pelos integrantes da equipe para ajudar a determinar a velocidade e o tempo correto pra cumprir cada trecho. Para os cálculos, uma calculadora ajuda muito, e calculadoras científicas programáveis ajudam muito mais (se puder ser programada corretamente). Ainda na questão de material próprio, a compra e uso de uma bússola é fundamental para se determinar caminhos certos durante o percurso, além de um relógio, essencial para controlar o tempo.

Para verificar se o tempo e a velocidade de cada equipe a ser cumprido está correto, a organização espalha aleatoriamente ao longo do percurso pessoas que marcam o seu tempo e verificam se a equipe está inteira e em condições de completar a prova. Elas representam os Postos de Controle, ou simplesmente, PCs.

Como a questão aqui é manter a regularidade, e não correr para fazer tudo ao menor tempo possível, não é uma atividade que canse demasiadamente ou que exija preparo físico de atleta. Porém é bom que se saiba que alguns dos desafios durante uma prova de trekking competitiva, exigem espírito, cabeça aberta, confiança e uma boa dose sangue frio...

Ao longo da prova existem períodos mortos que podem ser aproveitados para descansar alguns minutos, mais uma parada de (geralmente) 30 minutos em algum trecho da planilha que se chama "neutralizado", onde a organização oferece descanso e alguma comida leve para reposição de energia.

Para verificar a colocação da equipe depois de tudo terminado, os organizadores colocam a contagem de pontos, a classificação e o resultado final em seus sites. Dependendo do organizador, existe um tempo médio de 12 a 48 horas para sair o resultado final, cabendo ainda neste tempo possíveis julgamentos de recursos (se você se sentiu prejudicado em alguma parte do trajeto, por qualquer motivo alheio à sua vontade ou competência, é lhe dado o direito de apresentar o problema vivido e este será analisado e julgado por banca competente para que você não fique em desvantagem em relação aos demais na disputa).

A contagem de pontos se dá "ao contrário", pois não contamos quantos pontos ganhamos, e sim o quanto perdemos. Todas equipes iniciam com 0. Dependendo da falta cometida durante a competição (atrasar ou adiantar em um Posto de Controle, passar pelo PC em direção inversa que a prevista, não passar por um PC, entre outras coisas) é dado um número de pontos perdidos, que pode variar entre as organizações.


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